31/08/2007

Arquivado em: amigos — by ignoremode @ 17:52

a casa

Arquivado em: carne e osso — by ignoremode @ 12:55

o casaco desbotou com uma facilidade incrível, logo na primeira lavada ficou com umas manchas amareladas na manga. preferi não comentar o episódio com ninguém. custou tão caro, e agora isso. ligo pra loja e reclamo? ou descarto, passo pro outro cômodo e tento não pensar no prejuízo? enfim, o pensamento passou. o sofá fez um ruído de abraço, a tv se iluminou, o controle remoto alternou mundos e, em meio a um chiado e outro, um cheiro sem sentido açoitou a sala: M. havia posto morangos no forno, pra ver o que acontecia. impaciente, ia e vinha pra olhar o que se passava lá dentro, além da portinhola de vidro fosco. olhava, coçava a cabeça, saía, voltava, lavava as mãos, arranjava alguma tarefa doméstica pra fazer e deixava tudo pela metade. luz minguada em cima, piso sujo embaixo e nenhuma surpresa do outro lado: os morangos murcharam, exalaram um cheiro hediondo e perderam o sabor. “parecem podres, né?”. mas o que voce esperava, M., uma grande descoberta? uma sobremesa diferente, pelo menos – respondeu. acho que já tentaram fazer morangos-secos em algum lugar do planeta, M., mas talvez essa maçacora vermelha sirva pra cobrir os desbotados do casaco.

27/08/2007

furtivo

Arquivado em: carne e osso — by ignoremode @ 11:29

vontade de, sei lá, mergulhar em espuma branca espessa, ver nada, sentir as coisas com o tato. às vezes penso se preciso fechar as janelas, deixar que a escuridão tome conta da casa e dos escombros. é uma forma possível  de despertar os sentidos, dilatar a pupila e enxergar menos formas e mais texturas. mas todas as portas trazem essa intorragação pendurada na maçaneta, não tenho muita idéia de onde ir ou o que fazer. os olhos que estão ali, a três ou quatro ombros, dão um jeito de chegar aos meus, mas sem mensagem alguma. o que faço agora, meu deus? vou lá e tiro o véu ou apenas respondo com outro olhar vazio? a desmensagem é o caminho mais fácil, e ficar no sofá, observando o tempo passar parece mais divertido do que falar quem sou eu, o que faço, de onde venho e pra onde vou: até porque, secretamente, sei que não irei a lugar nenhum.

24/08/2007

friday escapes

Arquivado em: d'artista — by ignoremode @ 13:13

16/08/2007

é cego, é cego.

Arquivado em: amigos — by ignoremode @ 11:16

essa dor que se instalou na cabeça tem um significado: ódio à burrocracia. “burrocracia”: ato falho que revela as verdades que todo mundo já sabe. e agora, josé, qual a saída? relaxar e gozar ou tomar um sol no banco da praça. há moscas, há passantes, o cheiro enjoado de doce que vem nao sei de onde, talvez dum sobrado perdido em meio às paredes industriais. preciso de ajuda pra me desmanchar, não quero ser mais eu.

15/08/2007

deseo

Arquivado em: quase-útil — by ignoremode @ 12:01

14/08/2007

Arquivado em: amigos — by ignoremode @ 11:19

julio na tpm

revista tpm (ago/07)

13/08/2007

tempo e tapete

Arquivado em: carne e osso — by ignoremode @ 15:07

hoje resolvi que quero entrar pro convento, ser freira, não deixar que ninguém jamais toque meus genitais. sinto-me enojada quando imagino uma mão masculina subindo pelas minhas coxas, tamborilando pelas cavernas secretas, recém cobertas de musgo fino e delgado,  apertando minha cintura e se fixando nos seios. penso com tanta intensidade – e horror -  que sou capaz de sentir o os mamilos comprimidos entre  dedos rústicos que não são  meus.  a outra mão, tão grande, segura minha nuca com força, puxa meus cabelos para trás e me apóia num ombro duro, de onde eu sei que jamais despencaria.  jogada bruscamente num canto da sala, o leão se arrasta em minha direção – eu como a presa que, tomada pelo pânico, fica incapaz de ensaiar qualquer movimento de auto-proteção. os olhos felinos  amarelos fitam meu alvo. a língua salta da boca, dá a volta nos lábios, encaixa-se entre minhas pernas. nesse momento a sala se enche de estalos de boca reforçados por barulho de saliva que ia e vinha. olho para o teto, perço pra qualquer deus, de qualquer credo,  que envie um raio de voltagem pesada para que me evapore do planeta sem deixar traços dos meus sucos que escorrem e me fixam no tempo e no tapete. se ao menos pudesse chegar lá agora, no convento, numa escarpa coberta de heras, com celas minúsculas de onde se enxerga as palmeiras envergadas que quase tocam o mar.

01/08/2007

Arquivado em: amigos — by ignoremode @ 11:59

pois veja só o universo que criaram para os homens: empilhados em sofás sujos, gemendo a cada gole de cerveja, tremendo de tenta aflição com o correr do jogo. testosterona, barbas, cabelos sujos. coadjuvante, passa mulher, de vestido ingênuo, serpenteando entre a cozinha e a mesinha de centro com petiscos nas mãos. queria um dia ver uma televisão criativa. tem sempre essa preocupação, sei lá se é preocupação, em esticar os clichês até que eles nao aguentem mais e se rompam sozinhos.

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