havia uns viadutos que passavam rentes às janelas alheias, pelos quais cruzei, mas a cidade estava, de modo geral, sob alguma neblina densa. era como se houvesse um teto, um limite. e o céu? sei lá. não devia haver mais céu e o vaivém de veículos parecia tranquilo quanto a isso: acende os faróis, faz-se dia. havia uns caminhos confusos para se chegar na casa de N. Mas como eu já havia morado por aqueles lado, confiei no meu senso de direção e acabei acertando. era o mesmo prédio, só que em cercanias diferentes. tudo na cidade era meio torto – vertigens de impressionsimo alemão, golden-ratio, proporção áurea – alguém há de sentar lá e me dizer o que havia se passado naquela cidade. Entrei no prédio, um ambiente meio úmido e escuro, larguei as malas e convidei N. para um passeio. A porta dava para estação de metrô, onde os emaranhados de pessoas transitavam. foi bom ver gente. Até então, não havia visto viv’alma, só carros. a cidade original estava, na verdade, ali dentro. o mundo havia se convertido numa imensa estação de metrô. “parece blade runner”, falei. N. concordou. as cidades haviam tomado o corpo das fantasias de philip k. dick.
25/10/2007
15/10/2007
a mudança
essas noites eu cheguei e escancarei de uma vez: só sendo que eu vou continuar nessa pocilga, meu filho, não sou mulher de ficar em site barato não. meu destino é ser famosa, viu, quero é ter umas duzentas televisão de plasta, prasma, plástica… pedi as conta pro seu julio e me mudei pra casa de dona paradoxa.
por isso, meu filho, você não vai me ver mais aqui não. só na revista paradoxo - que paga mais.
11/10/2007
horóscopo do dia
“Nesta próxima fase que vai de 11/10 (hoje) às 0h58 a 13/10 às 15h35, você estará vivendo um momento excepcionalmente favorável para fazer contatos com pessoas que estão distantes, ou mesmo viajar.”
quem sou eu para contrariar os astros, né?
aspirar uma certa estabilidade é como querer navegar em lagoas. é bom, é bonito, é simpático, mas onde estão as ondas pra virar o barco quando é preciso? e o infinito do mar, cadê? enfim, não alcancei estabilidade de nada, se é o que vocês estão pensando, mas o meu coração quer um pouco de paz sim senhor. sem tsunamis pra revirar minhas gavetas (exceto paixões avassaladoras, é claro), sem tubarões açoitando a minha popa. só um pouco de vida mansa – por enquanto – até que a natureza atenda o seu chamado e me jogue na berlinda da vida novamente.