28/03/2008

malas prontas

Arquivado em: carne e osso — by ignoremode @ 12:08

estão ali, cinzentas, encostadas, esperando chegar a hora. mas relógio não anda, você não vem, os olhos recorrem à janela, à pia, a uma última checada no quarto. há um certo cheiro familiar, mas vem da cozinha ao lado – já reparou que nada familiar vem da gente? não construímos nada. a ausência já foi contabilizada duzentas e setenta e quatro vezes, mas agora a ausência se ausentou de vez. só deixou um pouquinho de poeira, mas a guzimeire pode dar um jeito nisso amanhã de manhã. amanhã de manhã já não haverá ausência, nem malas à epera de um bote que as transporte para o outro lado da ilha. veja, meu irmão, não importa que seja o ano 1 – as coisas continuam do jeito que sempre foram, só alguns signos mudaram. nunca haverá o ano da sua vida. tanto que te pedi pra não se apegar a essas esperanças atrais, né? bom, agora já não tem jeito. você vai para um lado, e vou te seguir na reta paralela.

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