vamos esmagar flores pra fazer chá. chá-chá-chá. nos países onde só se chega voando fala-se té. té-té-té-chá-chá-chá. dancemos? dancemos. mas peraí, peraí, tive uma idéia: dancemos sobre as flores, assim matamos dois coelhos com uma única cajadada. matamos dois coelhos pra colher duas xícaras de chá-chá-chá-té-té-té. vai, se aproxima e pisa sem dó nas pétalas e nos botões. recomenda-se fortemente evitar os espinhos e as roseiras, porque ambos são amargos e truculentos e dóem quando pegam a gente de jeito. agora vem, isso, sem pensar demais. cruzemos os braços e agarremos a cintura um do outro. porque dançar só é gostoso quando seu peito roça minha camisa e rodopiamos aleatórios ao som de nada – já reparou no tempo que a gente perde de tocaia à espera de algum tolo capaz abrir a tampa dos nossos galpões?
quer chá de que, meu amor? tem de hortênsias e tulipas e cravos e olivas e calêndulas e vetiver e rosmarim e acácia e peroba e jatobá e mogno.
morena eu quero chá, eu quero
chá, eu quero chá morena velha
eu quero chá.já, já, já, já morena velha eu
quero chá.