pois hoje, entre uma revirada e outra, esperei acordar e ver a montanha, o céu pálido, sentir o vento ameno que sopra do pacífico, mas não havia nada lá – só o cheiro familiar do quarto e dos lençóis. tateei as paredes em busca da textura amarela estranha, meio ébrio de vertigem e avião, tentando achar a janela com vista para o cemitério, a longa descida onde parava o ônibus 607, o reflexo do piso encerado. estavam lá tampouco. 8h10 e já não haveria mais as caminhadas longas, esbaforidas, a ânsia de entrar nos becos, escalar os cerros, tomar helados e comer completos. estava de volta, era real, irreversível, o relógio tornava a girar, as tardes voltariam a ser mais curtas, a noite mais arrastada, as paisagens repetidas, nenhuma descoberta, a mesma língua, as mesmas pessoas, o mesmo desassossego, os mesmos planos, o mesmo tudo.