26/02/2009

bonjour tristesse

Arquivado em: carne e osso — by ignoremode @ 16:02

pois hoje, entre uma revirada e outra, esperei acordar e ver a montanha, o céu pálido, sentir o vento ameno que sopra do pacífico,  mas não havia nada lá – só o cheiro familiar do quarto e dos lençóis. tateei as paredes em busca da textura amarela estranha, meio ébrio de vertigem e avião, tentando achar a janela com vista para o cemitério, a longa descida onde parava o ônibus 607, o reflexo do piso encerado. estavam lá tampouco. 8h10 e já não haveria mais as caminhadas longas, esbaforidas, a ânsia de entrar nos becos, escalar os cerros, tomar helados e comer completos.  estava de volta, era real, irreversível, o relógio tornava a girar, as tardes voltariam a ser mais curtas, a noite mais arrastada, as paisagens repetidas, nenhuma descoberta, a mesma língua, as mesmas pessoas, o mesmo desassossego, os mesmos planos, o mesmo tudo.

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