Coxas moças que se roçam, quentes e úmidas, num entremeado danado de pêlos, suor e hálito alheio – passa disso? certamente não. aí depois do sol posto, quatro horas adiante num dia quente, esquece de tudo e senta no chão de cimento, abaixa a cabeça, inclina as costas e faz promessa pro santo, que é dia dele. fumaça enferrujada de lamparina inunda a casa, mistura com a parafina, abraça as ventas e diz que é hora de rever o passado, olhar para madrinha-chica deitada, seca, enrugada numa rede, escondida atrás da luz oscilante, toda miúda a pobre, mal desconfia que já está morta faz anos. passa pelo quarto, olha o sobrinho inválido entretido com os dedos dos pés numa rede, fazendo sons de gado. madrinha-chica pensa que betinho é homem feito já, quase 40 anos, um instrumento que se revela imenso algumas vezes ao dia, barba feita, penico encostado ao pé da parede e tantas horas ainda para contar.