15/10/2007

a mudança

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 17:25

essas noites eu cheguei e escancarei de uma vez: só sendo que eu vou continuar nessa pocilga, meu filho, não sou mulher de ficar em site barato não. meu destino é ser famosa, viu, quero é ter umas duzentas televisão de plasta, prasma, plástica… pedi as conta pro seu julio e me mudei pra casa de dona paradoxa.

por isso, meu filho, você não vai me ver mais aqui não. só na revista paradoxo - que paga mais.

25/06/2007

vou comer margarina de novo!

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 14:02

ontem acordei com seu apolinário ligando, uma voz esquista que só, perguntando se eu não queria voltar pra lá. mas nem morta, meu filho, agora que me jogou no olho da rua num vai mais ter o prazer do meu trabalho nao. tão pensando que eu sou dessas é? pois prefiro passar fome a baixar a cabeça praquele fio duma ronca-e-fuça. se depender de mim, meu filho, eu não olho nunca mais na cara daquela tal de dona salete, nem que ela apareça pintada de ouro, ainda mais com aquela gata véia entojada cagando a casa todinha, desfiando o sofá. só vou ter saudade mesmo é de quebrar a vassoura no couro daquela bicha véia nojenta, que era a única coisa boa pra fazer quando todo mundo saía. gata véia sebosa. tu acha que vou voltar pra casa de seu apolinário? mas nem a pau. sou uma mulher de palavra, viu? posso até ser pobre, quer dizer, mais ou menos pobre, né?, mas tenho meu orgulho, viu? se fosse silmara, já tava lá mostrando aqueles peitão pra seu apolinário, toda oferecida. tem gente que não se toca mesmo, viu? essa silmara é uma quenga, nunca vi desse jeito. então, aí seu apolinário disse que dona salete tava fazendo o maior labafero por causa que a empregada nova num dá conta do serviço e não sei mais o quê. só ouvi a voz lá trás, chame guzimeire de volta pelamôr. tô nem aí, meu filho. volto nada, to muito bem como tô, quero mais aquilo pra minha vida não. eu disse mesmo assim: seu apolinário o senhor pensa que eu sou o que, seu saco de pancadas é? pois não sou não, viu? já arrumei um trabalho novo numa casa muito mais bonita que a sua, e ganho muito mais, dois salário, já tô até pagando a fatura do cartão todinha, quando trabalhava pro senhor precisava parcelar e tava me lascando todinha nessa história. quero mais não, viu? pode esquecer meu número, quero mais é que o senhor se lasque. aí desliguei o telefone e o danado ligou logo em seguida, aí já atendi dando uns berro naquele sem-futuro mas era dona salete dessa vez. disse que ia me pagar três salário. agora sim, né? gosto tanto de dona salete. pense numa mulher boa só é ela, era a única pessoa naquela casa que me queria bem, o resto é tudo umas prejura, quero nem papo. mas dona salete é boa demais, ô mulher abençoada, viu? já começo amanhã. vou ligar agora mesmo pra silmara, quero só ver a cara dela depois que souber o tanto de dinheiro que vou ganhar. vou esfregar na cara daquela bisca que não preciso casar com nenhum cramunhão preto e fedorento pra poder ter uma televisão de prata, praia, plácia, pla…

01/06/2007

deixe estar!

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 15:35

apois na semana passada seu apolinário chega e fala “guzimeire a gente nao vai mais precisar de você”, eu disse tá bom e não quis nem saber, juntei meus troço e saí pelo elevador social – queria ver se o porteiro ia brigar comigo de novo porque eu tava com a moléstia naquele dia, era capaz até de torcer o pescoço dele. peguei o ônibus sozinha, cheguei em casa e fui direto ligar pra silmara, aquela rampeira, e ela logo me aconselhou a botar eles tudinho na justiça, tirar tudo que puder. fiquei meio desconfiada se era isso mesmo, porque silmara não é digna de confiança. tu acha? uma mulher que casa com um preto feio daquele só pra ganhar uma tv de prata, praça, plásia, sei lá? não, minha filha, é demais pra mim, eu só caso por amor, não sou dessas não. sou que nem aquelazinha de jeito nenhum, não saio por aí fazendo safadeza com os macho não, minha filha. então, aí eu desliguei e liguei pra dona murielly, que é a entendida dessas coisas, pra saber se era aquilo mesmo. aí ela indicou um adêvogado só do bom, que era pra eu ir lá dizer que nunca me assinaram a carteira, que eu já to lá faz mais de cinco anos, nunca me deram férias nem nada, aqueles bando de filho da puta, eu que tanto limpei a bosta daquela gata, tinha que até passar cueca, calcinha e meia, dei de comer praqueles meninos malcriados dele, limpar o quarto daquela gorda imunda que só tem retrato de homem tatuado nas parede, deus me defenda de um homem tatuado. parece que saiu da prisão. eu, hein. ô raça nojenta só é aquela de seu apolinário, viu? eu vou é mergulhar de cabeça nesse processo, porque quero até o apartamento, quero ver tudinho no mei da rua, pedindo esmola. primeira coisa que vou fazer é tocar fogo naquele carro preto que parece de defunto, que ninguém pode encostar porque já dispara um alarme e sei lá o que mais.

18/05/2007

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 18:22

acabei nem indo na casa do patrão de marusa. acordei tarde que só, porque ontem foi o aniversario da minha vizinha e ficou uma ruma de maloquero batendo tambor a noite todinha, foi uma luta pra eu conseguir dormir. pensei até em chamar a policia, mas aqueles traste não servem pra nada, preferi não gastar uma ligação do celular. mãe falou que a outra lá disse pra eu aparecer por lá, mas aposto que foi só pra se passar por educada, porque ela sabe muito bem que eu não vou nessas festas de gente bêbada e fedorenta a cigarro. deus me livre de ficar mal-vista na vizinhança, né? porque eu conheço uma menina que um dia foi na casa do lado pedir pra usar o telefone e todo mundo ficou falando que ela tava dando pro dono da casa. a mulé do cara ficou danada, pegou e deu uma surra na menina até ela ficar toda estrupiada na rua – e tu pensa que o povo ajudou? ficaram só olhando a outra apanhar feito um cachorro. e daí, né? se ela quer dar pro vizinho, apois que dê. deus me defenda de vizinho, num dou nem bom dia, por mim pode até morrer que não tô nem aí. achei muito cabimento essazinha aqui do lado me chamar pra festa dela, porque tá na cara que não sou dessas coisas. não sou cachaceira nem sou chegada nessas porquera que eles comem. tô com os cabelo fedendo a fumaça de churrasco até agora, passei a manhã todinha lavando com o melhor shampoo que eu tenho, dei um banho de creme mas mesmo assim a catinga da festa não sai. sim, porque a zuada e a fumaça iam tudo direto pra minha janela – mas tu acha que vou chamar a policia? eu mesmo não. os lençóis tão tudo fedido, vai ser luta lavar isso depois que voltar pra casa hoje.

17/05/2007

a tentação de marusa

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 15:57

agora danou-se porque marusa quer por que quer que eu vá fazer um serviço na casa da patroa dela e eu não quero de jeito nenhum, porque seu apolinário vai ficar o dia todinho me passando sermão. tá por fora, meu fio, basta um dia longe dessa casa pra dona salete morrer de fome, adriana deixar as calcinha dela em tudo quanto é lugar, o menino caçula ir dormir sem tomar banho e a gata imunda cagar a casa todinha. o problema é que o patrão de marusa paga um dinhero bom que só e eu tô querendo comprar uma televisão de… prata? pausa? pata?… daquelas bem fininha, sabe? damião comprou uma pra silmara que é a coisa mais linda do mundo, tá pagando em dez… aí eu pensei, se aquela biscateira tem uma, eu posso ter também – tá vendo por que ela se casou com damião? foi só pra ter as coisas, meu filho. eu mesmo não preciso de macho nenhum pra me dar as coisa, ainda mais um traste preto e feio como aquele. apois o dinhero do patrão de marusa dá certinho pra inteirar a primeira prestação, vou ligar pro seu apolinário amanhã e dizer que tô doente.

15/05/2007

o dia em que silmara casou e derramou o molho da salada

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 16:37

dia desses, voltando do serviço, silmara chega e fala que tinha uma surpresa pra mim. ia se casar com damião dali uns dias. fiquei bestinha, meu queixo foi lá no chão. era só o que me faltava você se casar com um homem que você conheceu não faz nem duas semanas, tome juízo. mas silmara é uma kenga, não tem jeito. uma kenga que quer casar pra ter marido pra chifrar, ou você acha que não é por isso? eu conheço aquela rapariga. mas aí tá, foi lá e pum, alugou um vestido por nao sei quantos mil reais, não sei de onde ela tirou tanto dinhero – por certo é os home que dá, né? aí pediu pra minha mãe fazer umas 300 coxinha e risole, botou uns frangos pra assar e parece que comprou bem uns cinco quilo daquelas farofa pronta no supermercado, sabe colé? aí eu falei pra mãe pra nao dar presente nenhum, porque já é demais, né? pede as coxinha, num paga e ainda quer presente? aí chegou lá no dia, tudo pronto, todo mundo lá na igreja de fátima, uma ruma de gente alinhada, cheiro danado de perfume na igreja. o noivo de silmara, o tal de damião, é bem pretin – pense num home feio é esse tal de damião – tava lá, balançando as perna de nervoso. deu uns 10 minutos aparece silmara na porta da igreja, um vestidão arrastando pela porta afora, ia até as escadas, uns menino véi horroroso trazendo as aliança, acho que era sobrin de damião, fei, fei, pareciam umas cria de satanás – deus me perdoe. aí casaram e se beijaram e saíram da igreja com um monte de gente jogando arroz e fazendo aquele labafero na porta da igreja. eu nao cheguei nem perto. mal a mal fui assistir o casamento. pensa que eu fui na festa depois? só sendo! mãe foi e disse que foi bom que só. o povo ficou dançando até não sei que horas. silmara derramou molho de maionese no vestido e depois caiu bêbada agarrada com damião – achei foi pouco, por mim podia quebrar os dente tudinho. ainda bem que não fui nessa baixaria. tu acha que eu sou mulher de ir em casamento de kenga? não, sério: tu acha que eu vou nessas porquera? deus me defenda. kenga quando casa traz é mal agouro. vou convidar aquela ali pro meu casamento é nunca. agora eu tive que vir lá de casa pra cá sozinha, porque a princesa tá em lua de mel. se eu fosse a patroa dela botava era ela na rua – desde quando lua de mel é desculpa pra não vir trabalhar?

os cabelos de silmara

Filed under: guzimeire — by ignoremode @ 13:11

pois silmara, aquela kenga, chegava no terminal parque dom pedro e a primeira coisa que fazia era soltar aqueles cabelo dela. soltava e dava aquela mexidinha assim, sabe, que nem a de propaganda de shampoo? os home tudo dizendo “ah, uma dessas la em casa”. aí é que ela gostava. segurava os peito e fazia – uh! – puxando os bicho pra cima, empinando, pra parecer que os bicho eram duro, né? aí ia andando pro serviço se achando. usava sempre aquelas blusa da lycra, sabe colé? aquelas brilhosa e ligada no corpo. eu tinha era ódio de andar com aquela kenga, porque eu não sou dessas não, um homem pra me ter, meu fio, tem que rebolar muito. era uma frescura tão grande com aqueles cabelo, chega me dava gastura. podia nem tomar vento, repara.

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